domingo, 6 de julho de 2008

Desabafos de um Camionista

Desta vez vou deixar-vos aqui um relato de um companheiro e amigo de profissão acerca da vida dura de camionista internacional. Estou convicto que as palavras por ele apresentadas representam lucidamente e com concisão quão dificil é esta profissão.

"Sou conhecido por Verdinho e como referido acima sou camionista internacional. Antes trabalhei como carpinteiro, serralheiro, tractorista, já fui também jardineiro e até servente de obras. Já trabalhei na Franca Bélgica e Luxemburgo.
Durante uns tempos fiz também transportes para Bélgica e Franca enquanto serralheiro de alumínios.
Comecei faz uns 4 meses a trabalhar como condutor internacional e nunca pensei conhecer pessoas e locais que tenho vindo a conhecer. Nunca pensei também vir a ter as saudades que tenho da minha mulher e da minha querida filha, a ponto, de até à pouco tempo (não sei se também pela pressão que estamos sujeitos) dar comigo a chorar (palavra que me é estranha!) . Pensei na minha filha e chorei pois lembro-me que o pai já não tem tempo para ela como tinha quando era mais pequena; a relação e os laços tornam-se mais fracos e distantes. Nestes últimos 4 anos pouco tempo tenho passado com ela. Até à pouco tempo estive 3 anos a trabalhar com a minha esposa em França. Penso daquilo em que um camionista fica privado: da família, do conforto sua casa e dos cozinhados e refeições em presença dos amados! Agora resta-me a retrete ao ar livre e uma casa de 4 metros quadrados! (Ate certas celas são maiores!)
Por entre dias e noites a pensar, chega-se a conclusão que somos reclusos de profissão! A média passada em casa são 4 dias mês mais as ferias a que temos direito. Durante os cerca de 15 dias em que viajamos tenta-se programar o tempo que se vai passar em casa e quando se dá conta esta na hora de partir e não se fez metade, vai dai e rouba-se tempo ao descanso que tanto nos faz falta.
Por entre domingos e feriados que não se podem trabalhar em França passa-se ora fechado na lata ou em convívio com colegas da mesma firma ou de outras. Encontra-se pessoal porreiro e outro ainda com quem não se pode ter um diálogo digno de gente sã. Indivíduos que acham que são os maiores, outros que tentam desabafar e acabam por ser chatos pois estão a encher a cabeça a pessoas que estão no mesmo barco. As conversas, quando não se fala de horários, camiões, clientes, trajectos ou de patrões, são ora de mulherese carros ou de futebol. A gente anda por necessidade não pelo gosto da solidão que passamos! Eu pessoalmente cheguei a conclusão que tenho de mudar de vida o mais rápido possível."

Um comentário:

Rui Santos disse...

Só posso dizer que, se não gostas não insistas, vais acabar por sofrer mais.
www.portuguesetrucker.blogspot.com