domingo, 2 de agosto de 2009

Eles andem aí

Anda tudo com os azeites cá pela minha santa e frondosa aldeia. A GNR - aqueles senhores e senhoras mal-humorados, resmungões e de poucas falas – decidiram deixar a cidade e as estradas mais movimentadas e investir no campo, onde a pacatez das sua gentes em aliança a alguma ignorância conduzem à coima fácil.
Fiquei estupefacto com os sentimentos anti GNR, havendo já quem fale em perseguição e mau íntimo das operações encetadas. Tudo cozinhado conduziu a esta ideia um pouco incaracterística neste povo que conheço faz trinta e um anos: “eles não nos protegem, nem é a pela nossa segurança que trabalham, querem é dinheiro fácil de quem é honesto e trabalha".
Até ao ano passado eu não partilhava desta ideia, mas pelo que vi enquanto viajei pelas estradas de Portugal e da Velha Europa fui obrigado a pensar dessa maneira.
Deslocando-me agora da minha aldeia, estendo-me ao palco dos milhões de quilómetros do asfalto europeu: uma certa vez procurava um cliente em Espanha perto de Barcelona e quando vi um carro patrulha dos Mossos de Esquadra, assinalei a minha intenção de imobilizar o Virgolino em segurança para me dirigir a eles; cumprimentei-os e com a morada escrita num pedaço de papel onde havia rabiscado já um esboço do trajecto, perguntei-lhes com elevada educação se podiam indicar-me onde ficava. Pois bem, viraram-me má cara e ainda recalcaram que o procurasse eu, pois não tinham nada a ver e, como se não basta-se, pediram-me os discos e todos os documentos e ainda passaram revista ao tractor e semi-reboque.
Estava tudo conforme os cânones da lei, atiraram-me com os discos para a mão, grazinaram e deixaram-me ali plantado como um penhasco. Ainda fiquei estupefacto durante uns segundos e posto isto fui à minha vida. Outras situações muito semelhantes acabei por vivenciar e só na Alemanha, em Sinzig, a uns quilómetros de Bona, tenho boas memórias da polícia.
Voltando à minha aldeia não se fala por agora de outro assunto. Escondem-se atrás das árvores da berma da estrada para fiscalizar quem saí dos campos agrícolas, mandam parar todos os tractocarros, às cinco da manhã já estão à cola de quem madruga para o trabalho, fazem esperas junto dos cafés, ao mesmo tempo que se roubam igrejas, bens e propriedades, e não se vêm acções conclusivas.
É óbvio que não ganham dinheiro com isso, e, desta forma, o povo conclui que mesmo quando se age em conformidade com a lei, não o fazem porque se está a cumprir a regra, mas sobretudo porque dá dinheiro, esse é o que os move e é o fruto desse trabalho que apresentam aos seus superiores. Ou seja, não aplicam uma coima a alguém porque trás um passageiro no tractocarro e pode tornar-se perigoso para essa pessoa, mas sim porque esse facto é passível de encher os cofres, não pensando sequer na segurança ou não do passageiro.
Nesses meios tudo gira assim e daí que estas gentes começam a sentir os exageros e actos de má fé, questionando-se o respeito que até à pouco tempo se tinha pelo trabalho desses senhores. Talvez se houvesse preocupação com o que realmente interessa a sinistralidade rodoviária poderia diminuir e as pessoas se sentissem mais seguras.

3 comentários:

camionista disse...

O serviço das autoridades obedece algumas vezes, infelizmente, ao critério da necessidade. Da necessidade de "mostrar serviço", entenda-se. Quando desce, pela estrutura de comando, algum "puxão de orelhas"...

Joni disse...

Sim eu compreendo a posição do mexilhão.
Como nas guerras o peão anda sempre a frente no terreno e limita-se a cumprir ordens.
Mas parece que as pessoas são criminosas, quando os verdadeiros criminosos tem a faca e o queijo na mão.

AmSilva® disse...

Uiiiii
é bem verdadeo que dizes acerca dos Moussos d'esquadra...
Os animais que não têm outro nome só servem para multar, não são capazes de ajudar seja no que for!
Já dos Bascos, não tenho razão de queixa (apesar de já lá ter sido multado e com toda a razão para isso)
quando te aproximas e precisas de algo nem precisas fazer grandes sinais, e nem que tenham de ligar á central ou a um amigo para saber onde é e levar-te lá!
Quanto á GNR já todos sabemos que servem para multar indevidamente ou por razões que nem eles sabem...
e para beber umas cervejolas á maneira, em horário de serviço claro!!