Mais um Natal encantado nos recantos profundos do Portugal rural e mais uma lágrima que quase se desprende mas timidamente não se deixa escorrer.
Fui pulando de alegria como um petiz ao encontro da minha terra, dos meus domínios nas serranias que alicerçam a Serra maior. De braços esticados esperava-me a gente da minha aldeia. Não via o momento de a avistar.
Para mim o Natal é meu e de quem me tem nas artérias do seu coração. Uma das coisas que mais me entristece é ver o normal correr da vida e olhar para os mais velhos cujas rugas traçadas no rosto marcam uma vida intensa e imensa de sacrifícios. Vê-los envelhecer!
O Natal é isto, momentos que para o ano serão uma nova mas terna recordação.
Talvez fruto da larga distância foi o Natal mais puro da minha vida, deixando afluir em cada pedra uma nobre sensação de bem-estar. Foi a minha prenda e tenho pena que hoje se confunda o seu espírito com prendas.
Lembro-me das prendas que me marcaram na infância, um comboio a pilhas e um livro – “O João sem medo”. Lembro-me porque foram as únicas e por isso o seu valor é inestimável.
Hoje o Natal é sobremaneira diferente, as compras, as prendas, o individualismo enterraram e calcaram o verdadeiro Natal, tornando-o numa lição épica de agressividade publicitária e consumismo desenfreado.
Parece que tudo se compra com prendas, porém a minha prenda foi o reencontro com os meus e isso não tem preço nem se compra, sente-se.
Digital não é digitalização...
Há 2 meses